quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Toma lá pra ti, mãe!

Ao título, já lá vamos...

E agora.... as autárquicas... Que parecendo que não, talvez influenciem mais o nosso dia a dia que as legislativas... É como se as legislativas fossem a guitarra rítmica e as autárquicas a guitarra solo, estamos constantemente sob o efeito do ritmo de fundo mas reparamos muito mais se o solo é bom ou se houve "calinadas"....

Enfim, hoje está-me a dar para as metáforas... Ou comparações... Já dava uma revisão nas figuras de estilo... Não sei porquê, mas sempre que tenho uma dúvida de português, primeiro sinto-me estúpida, pois parece que com o passar dos anos perdi qualidades, segundo sinto-me culpada e parece que vejo a pairar sobre mim o fantasma da expressão do meu professor de português do ensino secundário, ostentando a expressão frequentemente por ele utilizada com as sobrancelhas franzidas e um ar que era um misto de incredulidade e ofensa!
De qualquer maneira só tenho a agradecer por este sentimento de culpa, de outra forma é provavel que estivesse ainda mais burra, pois assim sempre vou tentando esclarecer as minhas dúvidas de forma a expulsar o fantasma o mais depressa possível! (Vejam o blog dele, é o "o rapaz raro" na minha lista...)

Voltando ao assunto do bimestre, lá terei eu de novo de ir tentar ler programas... Uma pessoa a ouvi-los falar (principalmente se for em separado) fica ainda mais confusa do que se não ouvisse nada... Como espectadora assídua do GF, tive oportunidade de ouvir os dois principais candidatos à CML (para a qual eu voto) nos últimos dois dias e, de facto, estou ainda menos convencida de que deva votar num deles do que estava antes de os ouvir... Conseguiram parecer duas velhas com assuntos por resolver desde a adolescência, a falar mal uma da outra sempre tentando convencer o público de que não o estavam a fazer... Enfim... A ver vamos...

Para terminar, deixo-vos com uma grande senhora da qual a minha mãe é fã incondicional (daí o título)! Espero que gostem!

Exaltação

Viver!... Beber o vento e o sol!... Erguer
Ao Céu os corações a palpitar!
Deus fez os nossos braços pra prender,
E a boca fez-se sangue pra beijar!

A chama, sempre rubra, ao alto, a arder!...
Asas sempre perdidas a pairar,
Mais alto para as estrelas desprender!...
A glória!... A fama!... O orgulho de criar!...

Da vida tenho o mel e tenho os travos
No lago dos meus olhos de violetas,
Nos meus beijos extáticos, pagãos!...

Trago na boca o coração dos cravos!
Boémios, vagabundos, e poetas:
Como eu sou vossa Irmã, ó meus Irmãos!...

                        Florbela Espanca

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Voltando....

Olá!
Cá estou eu de novo, intervalo aqui, intervalo ali, lá vou regressando...

Então, foram votar? Espero que a resposta seja "sim"... E lá fui, como boa portuguesa que sou, por volta das 18h50 :) Mas fui!!!

Em relação aos resultados, não se pode dizer que inspirem muita confiança mas também custa-me imaginar uma situação em que tivesse confiança nos dirigentes deste país, portanto, vamos lá ver no que isto dá...

Como não tenho tempo para me alongar muito, hoje vou-vos deixar com um poema de um dos meus poetas menos apreciados: Cesário Verde. Porquê? Na verdade, acho importante conhecer e o vocabulário é interessante... Aqui vai então:

Manias!  

O mundo é velha cena ensanguentada,
Coberta de remendos, picaresca;
A vida é chula farsa assobiada,
Ou selvagem tragédia romanesca.

Eu sei um bom rapaz, -- hoje uma ossada, --
Que amava certa dama pedantesca,
Perversíssima, esquálida e chagada,
Mas cheia de jactância quixotesca.

Aos domingos a deia já rugosa,
Concedia-lhe o braço, com preguiça,
E o dengue, em atitude receosa,

Na sujeição canina mais submissa,
Levava na tremente mão nervosa,
O livro com que a amante ia ouvir missa!


Bdi-bdi-bdi-bdThat's all folks!!!!


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Faz-se por isso...

Bem, começando com a presença da Joana Amaral Dias no Gato Fedorento... Hmm... Isto será uma coisa do Bloco? Querem parecer sempre muito sérios... Não é que a política seja uma brincadeira, e claro que se compreende que um partido que, embora com um crescimento muitíssimo acentuado desde que foi formado, tem menos anos de existência do que muitos que estão atrás de si em representação no parlamento, tenha alguma necessidade de "se afirmar" e de mostrar que está a fazer um trabalho sério e sensato, mas... Vá lá... São os gatos!

E agora pergunto eu... Porquê a Joana Amaral Dias? Será pelo (alegado?) telefonema.... ou porque fica bem na televisão? I wonder....

Gostei MESMO da questão levantada pelo RAP em relação aos rodeos... O.o... Realmente, concordo com ele, se era para encher, mais valia aumentar o tamanho da letra... Rodeos?? Começo a pensar se terão pedido apoio a alguma instituição internacional de defesa dos animais para escrever essa parte e depois nem se deram ao trabalho de conferir... Quer dizer... RODEOS???????????

E depois "quem se ... é o mexilhão" , que eu estive hoje a sacar os programas eleitorais com o objectivo de os ler todos antes de ir lá dobrar os papelinhos em branco (até porque assim vai dar mais gozo) e só do BE, com esta brincadeirinha de andar a fazer propostas para os Estados Unidos da América, são 113 páginas só mesmo para abrir a pestana!

Enfim, já expressei a minha revolta, agora deixo-vos com o sempre actual Eça e as suas intemporais e sábias palavras (ambas as citações, de tão repetidas ao longo do tempo, são conhecidas de quase todos, mas nunca é demais recordá-las... Por alguma razão continuam a ser repetidas...):



 

E assim me retiro de mansinho... Amanhã cá estaremos para cortar na casaca de mais alguém!

O que há em mim é sobretudo cansaço






 
Para compensar as falhas de ontem, deixo-vos um génio...
 
O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

                      Álvaro de Campos

 
 
Mais logo talvez cá dê um saltinho! Considerem-se cultivados!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Compensando...? O.o

Como "não há falta que não dê em fartura", cá estou pela segunda vez hoje... Acabei agora de ver o gato (que deixei a gravar enquanto assisti a mais uma fabulosa partida do meu clube do coração, coração esse que felizmente é suficientemente forte para compensar o quanto o seu clube é fraquinho) e aproveito para comentar já a presença do deputado Jerónimo de Sousa no programa, mantendo o inconfundível estilo Rui Santos.

Jerónimo de Sousa: NOTA 6

É um jogador com uma longa experiência, se bem que ainda muito dedicado a uma forma de jogo que começa a caír em desuso e.... Bolas... Este não dápara grandes metáforas futebolísticas... A coisa não me está a saír... Deve ter sido de ter estado a levar com mais uma carga de nervos à conta do futebol... Recalquei toda a informação relacionada....

Não há crise, muda-se o método!

O que tenho eu a dizer? Tenho a dizer que gostei! Não foi aceso, não foi contundente, não foi agressivo, não foi brilhante... Mas bolas! Quem não gosta de ver um senhor que podia ser o o avôzinho de qualquer um de nós com histórias engraçadas (ou nem por isso, mas que nos mantêm o sorriso, sabe-se lá porquê...) e ideias tradicionais (note-se que há umas décadas atrás seriam revolucionárias, mas os tempos mudam...)?
Mais: alguém além de mim nota a semelhança com o Robin Williams?! Ou é de mim?? Bem, se não sou a única, volto a sublinhar, quem não gosta do Robin Williams?
Portanto, foi... hmm... agradável! Não se seria bem isto que seria esperado de um programa que tem como anfitrião um dos humoristas mais críticos de Portugal e como convidado um deputado, líder de partido, em época de campanha eleitoral... Mas quem sou eu para julgar... Eu só cá vim ver a bola!!! hehehe

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Como não me agrada nunca deixar um post sem um suplemento de leitura, aqui está o que se consegue após a hora do Vitinho... O autor é anónimo e o tema um tanto lamechas mas assim como assim tenho a desculpa de que já devia estar a dormir e deixo a promessa de amanhã encontrar algo consideravelmente melhor!


E se um dia fôssemos sós...?
E se um dia fôssemos só nós?
E se um dia não houvesse chuva nem interrogação?
E se um dia não houvesse polícia nem poluição?
E se nesse dia não houvesse trânsito, nem árvores, nem televisão?
E se por um dia não houvesse luz, nem Sol, nem Lua, nem escuridão?
E se um dia fôssemos só nós os dois?
O que seríamos nesse dia...?
... E o que seríamos depois?

Anónimo in Algures na Internet

Vá, tudo para a caminha que é quase meia noite....

À la Rui Santos...

Caros leitores inexistentes... Começo por pedir desculpa pela ausência mas como eu sou um ser muito ocupado, entre ver sites na net e ver séries na TV, pouco tempo me tem restado! Estou a brincar... trabalhinho... muito trabalhinho, é o que é... Às vezes... Outras não... Mas isso agora não interessa...

Como não gosto de fazer discriminações, tenho de mandar a minha "posta de pescada" acerca dos restantes esmiuçados da semana que passou. Dado o atraso, vou utilizar o famoso método Rui Santos, mas sem bolinhas nem setinhas:

Manuela Ferreira Leite: NOTA 6

Após um prolongado período no banco cujas raras interrupções foram marcadas pela negativa, com muitos passes falhados, muitas gaffes tanto de defesa como de ataque e pouca iniciativa, teve uma presença algo surpreendente ao encarar o perigo imposto por um adversário pouco comum no seu percurso profissional conseguindo, sem grandes extravagâncias, cumprir os objectivos impostos.

Paulo Portas: NOTA 8

Habituando os adeptos a um estilo de jogo mais conservador sem deixar, no entanto, de ser do agrado dos fãs mais fervorosos, conseguiu perante uma equipa com características atacantes inovadoras, mais marcadas na ala esquerda do ataque, não se prender a uma defesa fechada na ala direita mas sim aproveitar para surpreender o adversário com lances de contra-ataque bastante inventivos e descontraídos.


Francisco Louçã: NOTA 3

Uma actuação que se esperava fácil e descontraída, pelas características comuns entre este jogador e a equipa atacante, revelou-se a maior desilusão. Uma adequação PÉSSIMA ao estilo de jogo imposto pela equipa da casa, fechando completamente a defesa e sem mostrar qualquer criatividade, fazendo apenas por manter a táctica habitual sem qualquer mostra de criatividade face ao desafio que, logo à partida, nem parecia ser muito perigoso.

Paulo Rangel: NOTA 6

Uma exibição mediana mas descontraida, sem grandes lances a destacar mas com um bom controlo de bola e algumas jogadas bem conseguidas. Um pouco na onda do "joga e deixa jogar".

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E agora chega de parvoíce senão a SIC ainda vem aí atrás de mim para ir para lá mandar umas bocas e ficar cerca de uma hora a dizer a mesma coisas de várias maneiras diferentes, divagando até que eu própria não saiba o que estou a dizer...

Por fim, não querendo que o Blog peque por falta de qualidade e conteúdo literário, deixo-vos um pequeno excerto d' As Farpas para que terminem a vossa visita lendo alguém que realmente sabe escrever! Cá vai só mais uma pequenina alusão ao tema de destaque até Outubro.......... Por quem estamos nós?

"A crítica levantada em redor das Farpas acusa-as de prodigalizarem cortesias a el-rei.
Há por outro lado quem as suspeite de fazerem secretamente votos pela república.
Ora as Farpas tomam a liberdade de declarar que não desejam ardentemente para si e para o seu país senão uma coisa, - que é juízo."

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Esmiuçar os gatos...

Não querendo fingir uma crónica imparcial, começo por confessar que sou fã... Ainda assim, tal como a maioria da população, é inevitável comentar hoje o regresso do Gato Fedorento à televisão.

Primeiro de tudo acho que o RAP esteve muito bem, como sempre, se bem que me parece ter havido alguma contenção (se pessoal, se imposta não sei dizer) em relação ao que estamos habituados, sobretudo na entrevista ao PM... Uma espécie de "estou a ser atrevido mas com cuidado...", mantendo-se quase sempre dentro de temas aos quais o PM já deve ter respondido, no mínimo, um bilião de vezes e para os quais deve ter, pelo menos, umas quinze respostas "pré-definidas".
Em relação ao PM em si, foi uma desilusão para quem esperava vê-lo rancoroso em relação a anteriores trabalhos do GF, pois demonstrou uma descontracção e "habilidade" notáveis, relativamente às quais apenas a naturalidade levantou questões... Sendo que o recenseamento é feito aos 18 anos e considerando que algumas pessoas até começam a votar desde o início, arrisco-me a dizer que a participação do PM no programa poderá mesmo ter reunido mais uns quantos votos nas próximas eleições (encaremos a realidade: há provavelmente mais jovens recém recenseados a assistir ao GF do que aos debates).

Relativamente às intervenções dos outros elementos dos GF, não sendo particularmente brilhantes, prendem-se ao que, de facto, levou os GF a atingir a posição que hoje ocupam no humor nacional, o non-sense, e quanto a isto ou se gosta ou não se gosta, a expressão "não tem piadinha nenhuma" não pode ser aplicada, pois é uma variável inicial!

Para finalizar, acho o programa uma boa ideia e estou certa de que vai fazer, pelo menos, alguns desinteressados darem uma vista de olhos nos programas eleitorais e, quem sabe, fazerem um visitinha às urnas que não estava nos planos...

Querendo ainda acrescentar, sem largar totalmente o assunto do humor (nem o das eleições?), um soneto fantástisco para ler nas entrelinhas ;) Deixo-vos então com o nosso caro Bocage...

Quer ver uma perdiz chocar um rato,
Quer ensinar a um burro anatomia,
Exterminar de Goa a senhoria,
Ouvir miar um cão, ladrar um gato;

Quer ir pescar um tubarão no mato,
Namorar nos serralhos da Turquia,
Escaldar uma perna em água fria,
Ver um cobra castiçar co'um pato;

Quer ir num dia de Surrate a Roma,
Lograr saúde sem comer dois anos,
Salvar-se por milagre de Mafoma;

Quer despir a bazófia aos Castelhanos,
Das penas infernais fazer a soma,
Quem procura amizade em vis gafanos.



 Manuel Maria Barbosa du Bocage