segunda-feira, 2 de maio de 2011
Harry Potter ("O" vício)
(Nota: A escolha da imagem é pura coincidência. :P)
Ora aqui está uma saga que me deixa muito dividida... É uma PÉSSIMA adaptação, deixa frequentemente para segundo plano personagens e acontecimentos fundamentais, dando-lhes mais tarde a importância que deveria ter sido criada ao longo da história sem que se perceba porquê. Ficam também muitos espaços por preencher na história que, quem não a conheça através dos livros, entenderá como algo que ficou esquecido ou por explicar, o que, na minha opinião, é um insulto à J. K. Rowling que parece não escrever uma palavra sem a pensar e repensar até à exaustão, nunca deixando uma única ponta solta em toda a história!
Por outro lado, o vício é grande, a empatia criada com os actores ao longo dos anos também, a curiosidade de ver como fica no ecrã aquilo que imaginamos quando lemos, ainda maior e, por mais que eu pareça uma velha a protestar o tempo todo contra as falhas dos filmes em relação aos livros, a verdade é que não lhes resisto! Vejo e revejo e anseio pelo próximo (que desta feita, será o último).
Mal ou bem adaptado, uma coisa é certa, os actores, tanto os adultos como as crianças (agora já não...), são fantásticos e adequam-se a 100% àquilo que é esperado das personagens. Há ainda uma particularidade que para mim foi especialmente interessante: a minha personagem preferida é o Sirius Black (com tatuagem a comprovar :P) e, naturalmente, assim que saíu o primeiro filme comecei a questionar-me quem representaria esta personagem quando chegasse a altura. Por outro lado, o meu actor preferido é o Gary Oldman (já estão a ver onde vou chegar XD) e como tal, ainda por cima cumprindo o requisito de ser inglês, estive o tempo todo a "fazer figas", embora sem nunca acreditar muito, uma vez que as idades não coincidiam... Então e o que é que sucede quando é anunciado, finalmente, o elenco d'O Prisioneiro de Azkaban??? PIMBA! O meu actor preferido a interpretar a minha personagem preferida! Acabou qualquer hipótese de imparcialidade da minha parte em relação a esta saga!
Em suma, revolto-me sempre, mas adoro, não posso esperar por Julho para que saia o último e recomendo vivamente!
Saga Twilight ou "mas que raio...?!"
Então, comecemos por aqui! Para o bem ou para o mal, foi o que me desencadeou o frenesim de ver filmes todos os dias.
Após grande insistência de uma amiga, resolvi dar uma hipótese e como não sou pessoa de deixar as coisas a meio, foi logo a saga toda...
Começou por ser bastante cómico mas rapidamente passou a ser apenas aborrecido... Nunca li os livros, nem tenciono fazê-lo, reconhecendo no entanto que os filmes podem ser uma má adaptação e que na verdade nunca vou ficar a saber se a história é ou não interessante. Azar (ou sorte?) o meu ter começado pelos filmes.
Nos filmes, são completamente destruídos dois dos tipos de monstros mais explorados pela ficção e mais temidos dos folclores de muitos países: os vampiros e os lobisomens. Temos vampiros que são incrivelmente belos (dentro do padrão morangos com açúcar, que infelizmente não é o meu, senão até podia ter gostado só pela vista) e brilham ao sol (HÃ?? Não é "hã", é BRILHAM!!!) e lobisomens que são nativos americanos com abdominais desenvolvidos que depois de transformados ficam com o aspecto de lobos gigantes fofinhos... É... Basicamente é isto... E depois andam na escola e há uma personagem feminina que existe apenas para estar apaixonada pelo vampiro (ora, se me irritaram as personagens femininas espectaculares mas com personalidades fracas do Tolstói, podem imaginar como me irrita esta que em cima disso, ainda é mesmo muito fraquinha, pelo menos no filme)...
E basicamente é isto.... Um grande "NO-NO", para mim... Recomendo vivamente que, se escaparam até agora, permaneçam na ignorância! Twilight? Naaa, para mim é mais lusco-fusco, 5-7 minutos, mas muito intensos!
AVISO....
Vem aí uma avalanche.... Como já tinha dito, descobri a minha veia cinéfila e vai daí que me tenho estado a empanturrar de filmes assim como quem vai morrer lá para o Verão e tem de ver tudo o aquilo que não se pode morrer sem ver... Vou tentar agrupar o mais possível as minhas maratonas, mas ainda assim, não vai ser fácil... Preparem-se para uma senhora seca, ou mudem já de página!
Quem te avisa, teu amigo é!
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Dinamizando (ou Subitamente Cinéfila)
Voltando à carga, e pouco tendo ainda passado das 200 páginas no Dracula, resolvi que este blog precisa de mais dinamismo! Assim sendo, porque nem só de livros vive uma pessoa e também porque ando numa fase de devoradora insaciável de filmes, vou passar a deixar um registo também destes!
Aproveito, já agora, para dizer que há séculos que não tinha pesadelos por causa de um filme, muito menos de um livro, coisa que aconteceu a noite passada por causa do Dracula! Assim de uma forma muito resumida, estou a adorar. A diferença mais marcante que estou a notar, até agora, entre o livro e o filme, é a ordem dos acontecimentos... Mas não vou revelar mais para já, porque já muito pouco me lembrava do livro e quero avançar mais antes de avaliar em profundidade.
Para começar com a minha "listinha" de filmes, vou só fazer uma passagem muito rápida pelo que vi ontem, pela primeira vez (*NÃO!!!! Ah, sim, sim!!*): Taxi Driver.
Como, provavelmente, já todos sabem, é brilhante! Adorei tudo! Os textos, a conjugação do som, a ansiedade causada por se ver constantemente a instabilidade da personagem principal, Travis (genialmente interpretada por Robert De Niro), mascarada por uma personalidade calma e simples sem nunca se conseguir perceber quando vai atingir o ponto de ruptura... Em suma, tudo se combina num resultado final que, ainda que com "partes" fortíssimas, continua a ser superior à soma destas! Um "Must Watch" que foi finalmente visto!
Em jeito de despedida, só um bocadinho do que me deu pesadelos...
"The air seems full of specks, floating and circling in the draught from the window, and the lights burn blue and dim. What am I to do? God shield me from harm this night! I shall hide this paper in my breast, where they shall find it when they come to lay me out. My dear mother gone! It is time that I go too. Goodbye, dear Arthur, if I should not survive this night. God keep you, dear, and God help me!"
Dracula, Chapter 11 (end)
E pronto, volto em breve! Boas leituras!
Aproveito, já agora, para dizer que há séculos que não tinha pesadelos por causa de um filme, muito menos de um livro, coisa que aconteceu a noite passada por causa do Dracula! Assim de uma forma muito resumida, estou a adorar. A diferença mais marcante que estou a notar, até agora, entre o livro e o filme, é a ordem dos acontecimentos... Mas não vou revelar mais para já, porque já muito pouco me lembrava do livro e quero avançar mais antes de avaliar em profundidade.
Para começar com a minha "listinha" de filmes, vou só fazer uma passagem muito rápida pelo que vi ontem, pela primeira vez (*NÃO!!!! Ah, sim, sim!!*): Taxi Driver.
Como, provavelmente, já todos sabem, é brilhante! Adorei tudo! Os textos, a conjugação do som, a ansiedade causada por se ver constantemente a instabilidade da personagem principal, Travis (genialmente interpretada por Robert De Niro), mascarada por uma personalidade calma e simples sem nunca se conseguir perceber quando vai atingir o ponto de ruptura... Em suma, tudo se combina num resultado final que, ainda que com "partes" fortíssimas, continua a ser superior à soma destas! Um "Must Watch" que foi finalmente visto!
Em jeito de despedida, só um bocadinho do que me deu pesadelos...
"The air seems full of specks, floating and circling in the draught from the window, and the lights burn blue and dim. What am I to do? God shield me from harm this night! I shall hide this paper in my breast, where they shall find it when they come to lay me out. My dear mother gone! It is time that I go too. Goodbye, dear Arthur, if I should not survive this night. God keep you, dear, and God help me!"
Dracula, Chapter 11 (end)
E pronto, volto em breve! Boas leituras!
domingo, 17 de abril de 2011
Um desassossego e uma segunda oportunidade....
Adivinhem lá quem voltou! Ah pois é... Maaaas sem grandes notícias...
O Livro do Desassossego está terminado e, como seria de esperar, é absolutamente brilhante. Revejo-me muitíssimo nesta obra, ou pelo menos revejo a minha "faceta mais sombria". Tanto a escrita como a expressão dos sentimentos, de uma forma crua, introspectiva e cínica (ou não), me deixaram agarrada a cada palavra, tendo marcado mais passagens neste livro que em qualquer outro que tenha lido.
Não o considero um livro de leitura fácil nem passível de ser lido independentemente do estado de espírito. A fixação com o desapego da vida real e valorização do imaginário/sonho é, sem dúvida, um "desassossego", principalmente quando a justificação para tal é apresentada de formas tão variadas, mascarada por uma escrita genial e com um misto paradoxal de cinismo e paixão/desespero.
É, na minha opinião, um livro difícil de descrever ou analisar, pelo que não me vou alongar mais, deixando apenas uma entusiástica recomendação de que o leiam.
Segue-se a segunda oportunidade a uma obra cuja minha primeira impressão não foi a mais positiva. No entanto, aprendi a lição com Os Irmãos Karamazov e não vou deixar que a minha opinião de pré-adolescente seja a minha opinião final da obra. Trata-se de Dracula de Bram Stoker, lido desta vez na sua versão original.
Deixo-vos um dos muitos excertos que gostei particularmente:
O Livro do Desassossego está terminado e, como seria de esperar, é absolutamente brilhante. Revejo-me muitíssimo nesta obra, ou pelo menos revejo a minha "faceta mais sombria". Tanto a escrita como a expressão dos sentimentos, de uma forma crua, introspectiva e cínica (ou não), me deixaram agarrada a cada palavra, tendo marcado mais passagens neste livro que em qualquer outro que tenha lido.
Não o considero um livro de leitura fácil nem passível de ser lido independentemente do estado de espírito. A fixação com o desapego da vida real e valorização do imaginário/sonho é, sem dúvida, um "desassossego", principalmente quando a justificação para tal é apresentada de formas tão variadas, mascarada por uma escrita genial e com um misto paradoxal de cinismo e paixão/desespero.
É, na minha opinião, um livro difícil de descrever ou analisar, pelo que não me vou alongar mais, deixando apenas uma entusiástica recomendação de que o leiam.
Segue-se a segunda oportunidade a uma obra cuja minha primeira impressão não foi a mais positiva. No entanto, aprendi a lição com Os Irmãos Karamazov e não vou deixar que a minha opinião de pré-adolescente seja a minha opinião final da obra. Trata-se de Dracula de Bram Stoker, lido desta vez na sua versão original.
Deixo-vos um dos muitos excertos que gostei particularmente:
"A vida prejudica a expressão da vida. Se eu tivesse um grande amor nunca o poderia contar.
Eu próprio não sei se este eu, que vos exponho, por estas coleantes páginas fora, realmente existe ou é apenas um conceito estético e falso que fiz de mim próprio. Sim, é assim. Vivo-me esteticamente em outro. Esculpi a minha vida como a uma estátua de matéria alheia ao meu ser. Às vezes não me reconheço, tão exterior me pus a mim, e tão de modo puramente artístico empreguei a minha consciência de mim próprio. Quem sou por detrás desta irrealidade? Não sei. Devo ser alguém. E se não busco viver, agir, sentir, é - crede-me bem - para não perturbar as linhas feitas da minha personalidade suposta. Quero ser tal qual quis ser e não sou. Se eu cedesse destruir-me-ia. Quero ser uma obra de arte, da alma pelo menos, já que do corpo não posso ser. Por isso me esculpi em calma e alheamento e me pus em estufa, longe dos ares frescos e das luzes francas - onde a minha artificialidade, flor absurda, floresça em afastada beleza."
Livro do Desassossego
Boa noite e boas leituras!
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Mais dois em um!
Para não variar, as ausência são sempre suficientemente prolongadas para ler mais do que um livro... Sigamos então para o primeiro...
Como tinha dito, comecei o Era Bom que Trocássemos Umas Ideias Sobre o Assunto sem saber o que me esperava porque nunca tinha lido nada do Mário de Carvalho antes e fiquei agradavelmente surpreendida.
Adorei o livro e a forma de escrever do autor. É uma história de acontecimentos triviais e da forma como estes se reflectem nas nossas vidas. Dá-nos uma visão exterior da história de várias pessoas, cada qual com os seus assuntos, problemas, fantasmas e da forma como estes factores afectam os próprios e os que os rodeiam, fazendo notar como uma pequena contrariedade pode assumir na nossa vida um papel mais determinante que uma verdadeira catástrofe, desde que seja essa essa a forma como "decidimos" olhar para a mesma.
A vontade que temos de ver algo de extremamente dramático acontecer a umas personagens e de fabuloso a outras, perde-se nas palavras sarcásticas que nos lembram de que o texto é sobre personagens que poderiam ser reais, sobre o dia a dia, sobre, lá está, trivialidades! Ler esta obra, dá-nos uma constante sensação de que estamos na mesa de um café, com uma imperial e um prato de tremoços, em amena cavaqueira com o autor (alguém bem falante e com um sentido de humor muito particular), que nos conta assim uma sucessão de histórias que aconteceram com uns seus conhecidos. Gostei e recomendo!
Depois deste, arrisquei mais um autor que não conhecia, João Tordo, com a obra As Três Vidas, galardoada com o Prémio José Saramago em 2009.
Este romance não me "disse" tanto como o anterior. É um livro bem escrito, com clareza e fácil de entender. A história é interessante mas começa por prometer mais do que o que acaba por oferecer. Cria-se personagens com muito potencial para depois aproveitar pouco deste e o mesmo acontece em relação à história em si.
Em termos da escrita, prima pela correcção mas falta-lhe, na minha opinião, personalidade, o que não é de surpreender considerando a idade do autor.
Em jeito de conclusão, fica como sugestão a leitura desta obra numa ocasião em que não se tenha vontade de ler algo muito pesado mas sim de estar entretido.
Por fim, não poderia deixar-vos sem o momento de cultura, não é...? Então cá vai, em honra à minha 3ª tentativa (a decorrer neste momento) de ler o Livro do Desassossego.
Dobre
Peguei no meu coração
E pu-lo na minha mão
Olhei-o como quem olha
Grãos de areia ou uma folha.
Olhei-o pávido e absorto
Como quem sabe estar morto;
Com a alma só comovida
Do sonho e pouco da vida.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
Como tinha dito, comecei o Era Bom que Trocássemos Umas Ideias Sobre o Assunto sem saber o que me esperava porque nunca tinha lido nada do Mário de Carvalho antes e fiquei agradavelmente surpreendida.
Adorei o livro e a forma de escrever do autor. É uma história de acontecimentos triviais e da forma como estes se reflectem nas nossas vidas. Dá-nos uma visão exterior da história de várias pessoas, cada qual com os seus assuntos, problemas, fantasmas e da forma como estes factores afectam os próprios e os que os rodeiam, fazendo notar como uma pequena contrariedade pode assumir na nossa vida um papel mais determinante que uma verdadeira catástrofe, desde que seja essa essa a forma como "decidimos" olhar para a mesma.
A vontade que temos de ver algo de extremamente dramático acontecer a umas personagens e de fabuloso a outras, perde-se nas palavras sarcásticas que nos lembram de que o texto é sobre personagens que poderiam ser reais, sobre o dia a dia, sobre, lá está, trivialidades! Ler esta obra, dá-nos uma constante sensação de que estamos na mesa de um café, com uma imperial e um prato de tremoços, em amena cavaqueira com o autor (alguém bem falante e com um sentido de humor muito particular), que nos conta assim uma sucessão de histórias que aconteceram com uns seus conhecidos. Gostei e recomendo!
Depois deste, arrisquei mais um autor que não conhecia, João Tordo, com a obra As Três Vidas, galardoada com o Prémio José Saramago em 2009.
Este romance não me "disse" tanto como o anterior. É um livro bem escrito, com clareza e fácil de entender. A história é interessante mas começa por prometer mais do que o que acaba por oferecer. Cria-se personagens com muito potencial para depois aproveitar pouco deste e o mesmo acontece em relação à história em si.
Em termos da escrita, prima pela correcção mas falta-lhe, na minha opinião, personalidade, o que não é de surpreender considerando a idade do autor.
Em jeito de conclusão, fica como sugestão a leitura desta obra numa ocasião em que não se tenha vontade de ler algo muito pesado mas sim de estar entretido.
Por fim, não poderia deixar-vos sem o momento de cultura, não é...? Então cá vai, em honra à minha 3ª tentativa (a decorrer neste momento) de ler o Livro do Desassossego.
Dobre
Peguei no meu coração
E pu-lo na minha mão
Olhei-o como quem olha
Grãos de areia ou uma folha.
Olhei-o pávido e absorto
Como quem sabe estar morto;
Com a alma só comovida
Do sonho e pouco da vida.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
A minha vida dava um... blog?
Uma palavrinha para as autoras de "blogs cor-de-rosa":
Uma vez que a Margarida Rebelo Pinto consegue ver os seus livros publicados, não me choca nada que estes blogs também o sejam... Ao fim e ao cabo, não são mais nem menos!
O que me choca, isso sim, é a revolta contra a invasão de privacidade da parte de pessoas que decidem tornar públicas as suas vidas.
Sempre que se trate de crime, que se faça queixa à polícia que é o que todas as "figuras públicas" fazem, quando se trata de mera "cusquice" e intromissão através de comentários (positivos ou negativos), por favor, chega do papel de coitadinhas rodeadas de frustrados que vivem a vida através delas... Não gostam? Cá vai uma sugestão barata e de fácil implementação: um diário! Também há a hipótese de escrever num documento (word, por exemplo) e limitar-se a guardá-lo no computador sem o publicar na internet...
Sinceramente, a mim não me afecta muito porque a minha breve passagem por este tipo de blogs foi rapidamente seguida por um enjoo que não vai permitir que me aproxime deles por um bom tempo, mas a auto-comiseração combinada com pedantismo tem a particularidade de me irritar como poucas coisas, por isso decidi deixar uma palavrinha...
Deixo-vos com um belo soneto... Muahahaha
Incultas produções da mocidade
Exponho a vossos olhos, ó leitores ;
Vede-as com mágoa, vede-as com piedade;
Que elas buscam piedade, e não louvores;
Exponho a vossos olhos, ó leitores ;
Vede-as com mágoa, vede-as com piedade;
Que elas buscam piedade, e não louvores;
Ponderai da Fortuna a variedade
Nos meus suspiros, lágrimas e amores ;
Notai dos males seus a imensidade,
A curta duração dos seus favores ;
Nos meus suspiros, lágrimas e amores ;
Notai dos males seus a imensidade,
A curta duração dos seus favores ;
E se entre versos mil de sentimento
Encontrardes alguns, cuja aparência
Indique festival contentamento,
Encontrardes alguns, cuja aparência
Indique festival contentamento,
Crede, ó mortais, que foram com violência
Escritos pela mão do Fingimento,
Cantados pela voz da Dependência.
Escritos pela mão do Fingimento,
Cantados pela voz da Dependência.
Bocage - Sonetos I
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