segunda-feira, 2 de maio de 2011

Maratona Scorsese

Depois de Taxi Driver e a conselho de um amigo, veio uma maratona que deixa qualquer um satisfeito!



Estes seis filmes, devorados no espaço de dois dias, foram cerca de dez horas de entertenimento de grande qualidade...
Comecei com o The Departed, que para mim tem dois grandes defeitos: um dá pelo nome de Matt Damon e outro de Leonardo Di Caprio (não, não gosto, não acho que seja brilhante e muito menos o melhor actor da geração dele!), no entanto gostei bastante da história, da acção e, sobretudo, do final.
Seguiu-se o The Last Temptation of Christ, do qual também gostei bastante: uma versão alternativa de uma história contada há dois mil anos por muitos mas nunca, pelo menos oficialmente, por quem a terá vivido na primeira pessoa (assumindo que existiu). Nunca li o romance no qual o filme é baseado, no entanto fiquei bastante curiosa depois de ver a adaptação cinematográfica.
Para não perder o ritmo, seguiu-se o Raging Bull, que tem logo à partida, um trunfo na manga: a dupla De Niro / Pesci. Partindo logo com as expectativas elevadas, o filme não desilude minimamente. Excelentes interpretações, muito emotivas, de personagens cujo principal traço de personalidade é precisamente a dificuldade e lidar correctamente com as emoções ou mesmo compreendê-las. Retrata a ascenção e posterior decadência de um boxeur que encaixa totalmente no estereótipo que tantas vezes temos assistido em casos reais: personalidade violenta, mesmo fora dos ringues, controladora e descontrolada. Muito bom mesmo!
Atingido o meio da maratona, chegou Casino... E a este não resisto! Mais uma vez a dupla referida em Raging Bull e interpretando papéis que lhes assentam como uma luva! Pesci na pele do mafioso de baixo calibre com temperamento instável e De Niro tentando gerir um negócio de aparência polida mas com um pano de fundo corrupto. Sharon Stone também muito bem no papel de "trophy wife" inteligente e sofisticada mas que não consegue fugir a um passado de baixo nível, perdendo-se eventualmente no alcoolismo e abuso de drogas. A-D-O-R-E-I!
Chegando á recta final foi a vez de Gangs of New York, que apesar de ter também o "problema" Di Caprio, está muito bom... Não estando muito habituada a ouvir falar em história dos EUA, achei extremamente interessante a abordagem da época retratada (que, segundo investiguei, tem algumas bases de verdade).
Por fim foi a vez de Mean Streets. Mais uma interpretação fabulosa de De Niro, numa personagem quase "non-sense" que ao longo do filme todo, nunca consegui perceber se simpatizava, tinha pena, odiava ou temia... É criado um ambiente de grande stress, agravado pela descontracção ou abstracção intermitente de quem gera o problema, pelo grau de responsabilidade de quem tenta ajudar (fracassando) e de impaciência de quem pressiona. Gostei também MUITO!

E por hoje terá de ser tudo! Ficam prometidos ainda os posts sobre Vincent and Theo, Nil By Mouth, A Clockwork Orange e a Maratona Gary Oldman!

O Senhor dos Anéis



Mais uma saga que revi nas últimas semanas, e mais uma adaptação para o cinema que não faz justiça ao livro.
Peca em muitas das mesmas situações que o Harry Potter, trazendo para primeiro plano personagens que pouco aparecem e retirando totalmente pedaços muito interessantes da história, tornando-a incrivelmente mais pobre nos filmes.
Não deixam, no entanto, de ser filmes muito agradáveis e emocionantes, bons para passar uma tarde a vibrar em frente à televisão. Brilhante em termos de efeitos especiais e caracterização, com paisagens estonteantes e ambientes dignos dos que se imaginam ao ler os livros.
Resumindo, são uma desilusão para quem leu, sem dúvida, mas vale a pena ver de qualquer forma, pois em poucos filmes se vêem ambientes imaginários tão bem recriados no ecrã.

Harry Potter ("O" vício)




(Nota: A escolha da imagem é pura coincidência. :P)

Ora aqui está uma saga que me deixa muito dividida... É uma PÉSSIMA adaptação, deixa frequentemente para segundo plano personagens e acontecimentos fundamentais, dando-lhes mais tarde a importância que deveria ter sido criada ao longo da história sem que se perceba porquê. Ficam também muitos espaços por preencher na história que, quem não a conheça através dos livros, entenderá como algo que ficou esquecido ou por explicar, o que, na minha opinião, é um insulto à J. K. Rowling que parece não escrever uma palavra sem a pensar e repensar até à exaustão, nunca deixando uma única ponta solta em toda a história!

Por outro lado, o vício é grande, a empatia criada com os actores ao longo dos anos também, a curiosidade de ver como fica no ecrã aquilo que imaginamos quando lemos, ainda maior e, por mais que eu pareça uma velha a protestar o tempo todo contra as falhas dos filmes em relação aos livros, a verdade é que não lhes resisto! Vejo e revejo e anseio pelo próximo (que desta feita, será o último).

Mal ou bem adaptado, uma coisa é certa, os actores, tanto os adultos como as crianças (agora já não...), são fantásticos e adequam-se a 100% àquilo que é esperado das personagens. Há ainda uma particularidade que para mim foi especialmente interessante: a minha personagem preferida é o Sirius Black (com tatuagem a comprovar :P) e, naturalmente, assim que saíu o primeiro filme comecei a questionar-me quem representaria esta personagem quando chegasse a altura. Por outro lado, o meu actor preferido é o Gary Oldman (já estão a ver onde vou chegar XD) e como tal, ainda por cima cumprindo o requisito de ser inglês, estive o tempo todo a "fazer figas", embora sem nunca acreditar muito, uma vez que as idades não coincidiam... Então e o que é que sucede quando é anunciado, finalmente, o elenco d'O Prisioneiro de Azkaban??? PIMBA! O meu actor preferido a interpretar a minha personagem preferida! Acabou qualquer hipótese de imparcialidade da minha parte em relação a esta saga!

Em suma, revolto-me sempre, mas adoro, não posso esperar por Julho para que saia o último e recomendo vivamente!

Saga Twilight ou "mas que raio...?!"


Então, comecemos por aqui! Para o bem ou para o mal, foi o que me desencadeou o frenesim de ver filmes todos os dias.
Após grande insistência de uma amiga, resolvi dar uma hipótese e como não sou pessoa de deixar as coisas a meio, foi logo a saga toda...
Começou por ser bastante cómico mas rapidamente passou a ser apenas aborrecido... Nunca li os livros, nem tenciono fazê-lo, reconhecendo no entanto que os filmes podem ser uma má adaptação e que na verdade nunca vou ficar a saber se a história é ou não interessante. Azar (ou sorte?) o meu ter começado pelos filmes.
Nos filmes, são completamente destruídos dois dos tipos de monstros mais explorados pela ficção e mais temidos dos folclores de muitos países: os vampiros e os lobisomens. Temos vampiros que são incrivelmente belos (dentro do padrão morangos com açúcar, que infelizmente não é o meu, senão até podia ter gostado só pela vista) e brilham ao sol (HÃ?? Não é "hã", é BRILHAM!!!) e lobisomens que são nativos americanos com abdominais desenvolvidos que depois de transformados ficam com o aspecto de lobos gigantes fofinhos... É... Basicamente é isto... E depois andam na escola e há uma personagem feminina que existe apenas para estar apaixonada pelo vampiro (ora, se me irritaram as personagens femininas espectaculares mas com personalidades fracas do Tolstói, podem imaginar como me irrita esta que em cima disso, ainda é mesmo muito fraquinha, pelo menos no filme)...
E basicamente é isto.... Um grande "NO-NO", para mim... Recomendo vivamente que, se escaparam até agora, permaneçam na ignorância! Twilight? Naaa, para mim é mais lusco-fusco, 5-7 minutos, mas muito intensos!

AVISO....



Vem aí uma avalanche.... Como já tinha dito, descobri a minha veia cinéfila e vai daí que me tenho estado a empanturrar de filmes assim como quem vai morrer lá para o Verão e tem de ver tudo o aquilo que não se pode morrer sem ver... Vou tentar agrupar o mais possível as minhas maratonas, mas ainda assim, não vai ser fácil... Preparem-se para uma senhora seca, ou mudem já de página!

Quem te avisa, teu amigo é!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Dinamizando (ou Subitamente Cinéfila)

Voltando à carga, e pouco tendo ainda passado das 200 páginas no Dracula, resolvi que este blog precisa de mais dinamismo! Assim sendo, porque nem só de livros vive uma pessoa e também porque ando numa fase de devoradora insaciável de filmes, vou passar a deixar um registo também destes!
Aproveito, já agora, para dizer que há séculos que não tinha pesadelos por causa de um filme, muito menos de um livro, coisa que aconteceu a noite passada por causa do Dracula! Assim de uma forma muito resumida, estou a adorar. A diferença mais marcante que estou a notar, até agora, entre o livro e o filme, é a ordem dos acontecimentos... Mas não vou revelar mais para já, porque já muito pouco me lembrava do livro e quero avançar mais antes de avaliar em profundidade.

Para começar com a minha "listinha" de filmes, vou só fazer uma passagem muito rápida pelo que vi ontem, pela primeira vez (*NÃO!!!! Ah, sim, sim!!*): Taxi Driver.
Como, provavelmente, já todos sabem, é brilhante! Adorei tudo! Os textos, a conjugação do som, a ansiedade causada por se ver constantemente a instabilidade da personagem principal, Travis (genialmente interpretada por Robert De Niro), mascarada por uma personalidade calma e simples sem nunca se conseguir perceber quando vai atingir o ponto de ruptura... Em suma, tudo se combina num resultado final que, ainda que com "partes" fortíssimas, continua a ser superior à soma destas! Um "Must Watch" que foi finalmente visto!






Em jeito de despedida, só um bocadinho do que me deu pesadelos... 
"The air seems full of specks, floating and circling in the draught from the window, and the lights burn blue and dim. What am I to do? God shield me from harm this night! I shall hide this paper in my breast, where they shall find it when they come to lay me out. My dear mother gone! It is time that I go too. Goodbye, dear Arthur, if I should not survive this night. God keep you, dear, and God help me!"

Dracula, Chapter 11 (end)

E pronto, volto em breve! Boas leituras!

domingo, 17 de abril de 2011

Um desassossego e uma segunda oportunidade....

Adivinhem lá quem voltou! Ah pois é... Maaaas sem grandes notícias...
O Livro do Desassossego está terminado e, como seria de esperar, é absolutamente brilhante. Revejo-me muitíssimo nesta obra, ou pelo menos revejo a minha "faceta mais sombria". Tanto a escrita como a expressão dos sentimentos, de uma forma crua, introspectiva e cínica (ou não), me deixaram agarrada a cada palavra, tendo marcado mais passagens neste livro que em qualquer outro que tenha lido.
Não o considero um livro de leitura fácil nem passível de ser lido independentemente do estado de espírito. A fixação com o desapego da vida real e valorização do imaginário/sonho é, sem dúvida, um "desassossego", principalmente quando a justificação para tal é apresentada de formas tão variadas, mascarada por uma escrita genial e com um misto paradoxal de cinismo e paixão/desespero.
É, na minha opinião, um livro difícil de descrever ou analisar, pelo que não me vou alongar mais, deixando apenas uma entusiástica recomendação de que o leiam.



Segue-se a segunda oportunidade a uma obra cuja minha primeira impressão não foi a mais positiva. No entanto, aprendi a lição com Os Irmãos Karamazov e não vou deixar que a minha opinião de pré-adolescente seja a minha opinião final da obra. Trata-se de Dracula de Bram Stoker, lido desta vez na sua versão original.



Deixo-vos um dos muitos excertos que gostei particularmente:

"A vida prejudica a expressão da vida. Se eu tivesse um grande amor nunca o poderia contar.
Eu próprio não sei se este eu, que vos exponho, por estas coleantes páginas fora, realmente existe ou é apenas um conceito estético e falso que fiz de mim próprio. Sim, é assim. Vivo-me esteticamente em outro. Esculpi a minha vida como a uma estátua de matéria alheia ao meu ser. Às vezes não me reconheço, tão exterior me pus a mim, e tão de modo puramente artístico empreguei a minha consciência de mim próprio. Quem sou por detrás desta irrealidade? Não sei. Devo ser alguém. E se não busco viver, agir, sentir, é - crede-me bem - para não perturbar as linhas feitas da minha personalidade suposta. Quero ser tal qual quis ser e não sou. Se eu cedesse destruir-me-ia. Quero ser uma obra de arte, da alma pelo menos, já que do corpo não posso ser. Por isso me esculpi em calma e alheamento e me pus em estufa, longe dos ares frescos e das luzes francas - onde a minha artificialidade, flor absurda, floresça em afastada beleza."

Livro do Desassossego

Boa noite e boas leituras!