quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Moonrise Kingdom

Ontem vi o Moonrise Kingdom, que já andava há bastante tempo com curiosidade para ver.
Trata-se de uma história de amor pré adolescente, num cenário pictoresco que harmoniza ingenuidade, maldade e drama de uma forma maravilhosa.
Dois pré adolescentes "excluidos" encontram-se por acaso e começam a corresponder-se e a arquitectar uma forma de se juntarem, livrando-se de todos os que não os compreendem. Começamos por ter um clima embaraçoso que se vai tornando num romance quase "mini Romeu e Julieta".
Em paralelo, temos os adultos que pouco se interessam pelas histórias de crianças, tendo as suas próprias frustrações e problemas, e temos os adultos que continuam a ter uma criança e um sonho de amor dentro de si e que torcem pelo sucesso da história dos miúdos.
Todo o clima tem um quê de surreal e inocente e é uma história bonita e maravilhosamente contada, em que o amor, o companheirismo, a compreensão e o altruísmo acabam por vencer todas as barreiras.
Gostei muito, apesar de soar lamechas, na verdade só vendo da para ter noção!





A juntar a isto, Edward Norton, Bruce Willis e Bill Murray fantásticos e muito "fora" das suas zonas de conforto, se é que as há!

Vale a pena ver!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Não É Meia Noite Quem Quer

Bem, posso já começar por dizer que (e antes que quem já sabe venha cá com coisas :P @Panuci) eu sou um BOCADINHO groupie assumida quando se trata do António Lobo Antunes.

Mas muito, muito a sério: este livro é simplesmente genial.



Não É Meia Noite Quem Quer, retrata o fim de semana de uma mulher de meia idade como tantas outras, que se encontra deprimida e descontente com a vida, e resolve passar estes dias na casa em que passou férias na infância - e que está prestes a ser vendida - com a intenção de terminar de uma forma abrupta o seu percurso no Domingo à tarde, à hora específica da mudança da maré.

É uma introspecção nostálgica, focando-se ora nos momentos felizes, ora na desgraça por detrás destes, oscilando entre o olhar da menina que foi e o da mulher que é, ora em comunhão, ora em oposição, nem sempre sendo mais sábio o mais velho.

Recordações da infância misturam-se com acontecimentos recentes, desencontros e reencontros e relações que nunca se mantém na mesma.

O ponto de vista, não exposto mas pensado, como é característico do António Lobo Antunes, de uma mulher que se cansa de ver a vida passar num estado de aceitação e dormência.

Aconselho mesmo, mesmo, mesmo! Um dos livros mais pesados que já li, mas tão bom, tão maravilhoso, tão genial que vale a pena viver todos os momentos de angústia por ele proporcionados (e também tem alguns felizes).



Este grande autor toca-me de uma maneira muito especial porque não me consigo distanciar do livro enquanto o leio, sou a personagem, sou o "narrador" - se é que é possível chamar-lhe isso -, vivo (ou penso) todos os momentos. Por mais que eu leia, não encontro nenhum autor que tenha a capacidade de escrever desta forma particular que me coloca nesta posição.

Pronto... Groupie mode /off

P.S. - Aconselho a não ler os detalhes no link... Para mim é spoiler...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Must finish...

... Não é meia Noite Quem Quer.

A sério... O António Lobo Antunes deprime-me tanto...

Totally worth it, though... Depois falo-vos deste que, para mim, é mais uma obra prima...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A arte de vender-se...

Consiste em conseguir dizer coisas com nomes em inglês que não parecem ter qualquer relação com aquilo que são na verdade (nem em inglês nem em português), no entanto soam muito bem e lá no dicionário consultorês-português devem ter um significado extremamente óbvio.

Mais acrescento que acho que os "dossiers de competências" pedidos por várias consultoras aquando de um processo de recrutamento não servem para absolutamente nada a não ser para verificar a capacidade que cada um tem de, precisamente, vender-se, mas por escrito.

Ah! E testar do interesse do candidato, porque preencher aquela bosta é um pouco como dizer "estou disposto a tudo". Uma tortura de primeiro grau.

Caros senhores dos recursos humanos que exigem este tipo de bichanice: eu posso ir à net copiar aquela trampa toda (assim tivesse eu paciência) e vocês não iam ficar mais elucidados sobre as minhas capacidades do que ficariam com aquilo que vão ter de qualquer maneira - o meu CV e a fantástica oportunidade de conversar com a minha interessante pessoa.

Não sejam preguiçosos e tirem vocês as notas a partir daquilo que eu digo, que será certamente mais natural e verdadeiro do que aquilo que tenho uma semana para inventar e escrever.

Just saying...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O Dia Deu em Chuvoso

O dia deu em chuvoso.
A manhã, contudo, esteve bastante azul.
O dia deu em chuvoso.
Desde manhã eu estava um pouco triste.

Antecipação! Tristeza? Coisa nenhuma?
Não sei: já ao acordar estava triste.
O dia deu em chuvoso.

Bem sei, a penumbra da chuva é elegante.
Bem sei: o sol oprime, por ser tão ordinário, um elegante.
Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante.
Mas quem disse ao sol ou aos outros que eu quero ser elegante?
Dêem-me o céu azul e o sol visível.
Névoa, chuvas, escuros — isso tenho eu em mim.

Hoje quero só sossego.
Até amaria o lar, desde que o não tivesse.
Chego a ter sono de vontade de ter sossego.
Não exageremos!
Tenho efetivamente sono, sem explicação.
O dia deu em chuvoso.

Carinhos? Afetos? São memórias...
É preciso ser-se criança para os ter...
Minha madrugada perdida, meu céu azul verdadeiro!
O dia deu em chuvoso.

Boca bonita da filha do caseiro,
Polpa de fruta de um coração por comer...
Quando foi isso? Não sei...
No azul da manhã...

O dia deu em chuvoso.


Álvaro de Campos, Poemas 

Porque  tem chovido e porque só o nosso querido engenheiro sabe transformar isso em tantos sentimentos negativos num poema só.
Não tem nada a ver com o meu estado de espírito (felizmente) mas fascina-me!
Além de que doses regulares de Álvaro de Campos fazem bem à saúde!

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Animais?

De vez em quando é giro lembrarmo-nos de que somos animais... E, às vezes, fica mesmo de lado a parte do "racionais".
Hoje com mais uma bela greve do metro e impedida pela tempestade de vir a pé, entre trocas e baldrocas e autocarros à pinha no meio de trânsito inacreditável, lá resolvo, a certo ponto da viagem, desistir das alternativas e esperar que o metro abra.
Consegui entrar no primeiro que passou que, como devem calcular, não tinha espaço nem para mais um fantasminha!
Lá estou eu, muito alheada com a minha musiquinha, quando de repente o metro chega a uma estação e só vejo abrir-se uma rodinha, qual mosh inesperado, para dar passagem a uma pequena sessão de Vale Tudo no feminino! Ele foi soco, ele foi pontapé, ele foi salto... Eu xei lá, munina!
O que vale é que as portas não esperam pela resolução destas questões e uma das intervenientes lá teve de sair, muito combalida (foi a que apanhou mais, pelo menos da parte que vi) enquanto a outra era agarrada por várias pessoas, dentro das possibilidades que havia de conseguir mexer os cotovelos lá dentro sem vazar uma vista a alguém.
Portanto... Uma manhã muito interessante. Ou não. A sério pessoas, comportem-se!