quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Alarga os Teus Horizontes

Alarga os Teus Horizontes Por que é que combateis? Dir-se-á, ao ver-vos,
Que o Universo acaba aonde chegam
Os muros da cidade, e nem há vida
Além da órbita onde as vossas giram,
E além do Fórum já não há mais mundo!

Tal é o vosso ardor! tão cegos tendes
Os olhos de mirar a própria sombra,
Que dir-se-á, vendo a força, as energias
Da vossa vida toda, acumuladas

Sobre um só ponto, e a ânsia, o ardente vórtice,
Com que girais em torno de vós mesmos,
Que limitais a terra à vossa sombra...
Ou que a sombra vos torna a terra toda!
Dir-se-á que o oceano imenso e fundo e eterno,
Que Deus há dado aos homens, por que banhem
O corpo todo, e nadem à vontade,
E vaguem a sabor, com todo o rumo,
Com todo o norte e vento, vão e percam-se
De vista, no horizonte sem limites...
Dir-se-á que o mar da vida é gota d'água
Escassa, que nas mãos vos há caído,
De avara nuvem que fugiu, largando-a...
Tamanho é o ódio com que a uns e a outros
A disputais, temendo que não chegue!

Homens! para quem passa, arrebatado
Na corrente da vida, nessas águas
Sem limites, sem fundo - há mais perigo
De se afogar, que de morrer à sede!De que vale disputar o espaço estreito,
Que cobre a sombra da árvore da pátria,
Quando são vossos cinco continentes?
De que vale apinhar-se junto à fonte
Que - fininha - brotou por entre as urzes,

Quando há sete mil ondas por cada homem?
De que vale digladiar por uma fita,
Que mal cobre um botão, quando estendida
Deus pôs sobre a cabeça de seus filhos
A tenda, de ouro e azul, do firmamento?
De que vale concentrar-se a vida toda
Numa paixão apenas, quando o peito
É tão rico, que basta dar-lhe um toque
Por que brotem, aos mil, os sentimentos?!

Oh! a vida é um abismo! mas fecundo!
Mas imenso! tem luz - e luz que cegue.
Inda a águia de Patmos - e tem sombras
E tem negrumes, como o antigo Caos:
Tem harmonias, que parecem sonhos
De algum anjo dormido; e tem horrores
Que os nem sonha o delírio!

É imensa a vida,
Homens! não disputeis um raio escasso
Que vem daquele sol; a ténue nota,
Que vos chega daquelas harmonias;
a penumbra, que escapa àquelas sombras;
O tremor, que vos vem desses horrores.
Sol e sombras, horror e harmonias
De quem é isto, se não é do homem?!

Não disputeis, curvado o corpo todo,
As migalhas da mesa do banquete:
Erguei-vos! e tomai lugar á mesa...
Que há lugar no banquete para todos:
Que a vida não é átomo tenuíssimo,
Que um feliz apanhou, no ar, voando,
E guardou para si, e os outros, pobres,
Deserdados, invejam - é o ar todo,
Que respiramos; e esse, inda mais livre,
Que nos respira a alma - a terra firma.
Onde pomos os pés, e o céu profundo
Aonde o olhar erguemos - é o imenso,
Que se infiltra do átomo ao colosso;
Que se ocultou aqui, e além se mostra;
Que traz a luz dourada, e leva a treva;
Que dá raiva às paixões, e unge os seios
Com o bálsamo do amor; que ao vício, ao crime,
Agita, impele, anima, e que à virtude
Lá dá consolações - que beija as frontes
De povo e rei, de nobre e de mendigo;
E embala a flor, e eleva as grandes vagas;
Que tem lugar no seio, para todos;
Que está no rir, e está também nas lágrimas,
E está na bacanal como na prece!...


Antero de Quental, Odes Modernas - Vida

Bolas!!! Esta soube bem!!! Ah granda Antero, quem fala assim não dá DOIS tiros na cabeça, pah! Tsc, tsc....
E pronto, foi o momento espectacular do dia... Vamos a circular, vá...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Happy B-Day Duff McKagan

Baixista dos Guns n' Roses e dos Velvet Revolver, trazendo uma forte componente punk aos projectos em que se envolve, com uma vida cheia de polémica associada a álcool, drogas e Rock n' Roll à lá old school, Duff McKagan chega hoje aos 49 anos.
Esperemos que vá sempre tendo o juizinho de se desintoxicar de vez em quando e que ande por cá muitos mais anos! :P



Parabéns!!! \m/

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

As Aventuras Extraordinárias de Gordon Pym

Terminei, este fim de semana, As Aventuras Extraordinárias de Gordon Pym e gostei bastante.

Edgar Allan Poe é um contador de histórias sem igual e consegue deixar-nos completamente "agarrados" ao livro. No Sábado à tarde só me apercebi que estava há horas naquilo quando comecei a sentir alguma dificuldade em ler e me apercebi que... Estava a ficar escuro!

A primeira parte (ou pelo menos assim a entendo) da história é emocionante, chocante e aflitiva. Um relato de uma viagem de barco que pretendia ser uma aventura e se transforma num autêntico pesadelo, depois de um motim a bordo e uma série de tempestades que vão varrendo as vidas da maioria dos intervenientes, deixando os restantes sujeitos a provações piores que a própria morte.

Após esta atribulada fase, segue-se uma parte escrita mais em forma de diário de navegação/descoberta (fez-me lembrar O Livro de Duarte Barbosa), com descrições minuciosas do que ia sendo encontrado a cada paragem bem como das embarcações e procedimentos a bordo (Poe mostra um interesse e conhecimento elevados nesta área). Não posso negar que esta parte é um bocadinho menos motivante, especialmente porque passamos de um ritmo de aventura alucinante para este tipo de leitura. Não deixa, contudo, de ser mesmo muito interessante.

Dirigindo-se a viagem para o pouco explorado Polo Sul, voltamos a entrar num clima de aventura quando é descoberta uma civilização de que não há relato, incluindo algumas descobertas também a nível de ambiente, fauna e flora.
Mais uma vez, o perigo espreita e nosso aventureiro tem de recorrer ao seu recente mas fiel amigo e a toda a sua astúcia e força para, novamente, se desenvencilhar de uma situação que parecia não ter solução...

O relato da (realmente) extraordinária viagem é terminado de forma abrupta e num clima de misticismo, o que me deixou com uma certa pena porque estava à espera de outro tipo de fim... Foi uma surpresa, pronto, tem o seu mérito!



Recomendo a quem goste de aventuras.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Estranged

Há músicas que, por mais anos que passem, continuam a arrepiar-nos os cabelos todos na nuca...
O J. levou para o meu carro o Use Your Illusion II e foi todo um flashback da mais alta qualidade!
Para quem teve a alcunha "Guns" durante 5 anos na escola (mesmo depois de entrar noutra fase musical completamente diferente - ou não) e que a mantém junto do pessoal com que se dá desde essa altura (Panuci, por exemplo), o primeiro álbum de Guns n' Roses que comprou fica, para sempre, num lugar especial :) Esta música é uma daquelas que sempre adorei. Enjoy!



Bom fim de semana!